sábado, 26 de setembro de 2009

Conflito Internacional: Brasil x Honduras. Crise política, militar ou moral?

Prezados colaboradores,

Nos últimos dias, nos deparamos com todos os noticiários do país informando sobre a crise em que nosso tão amado país se envolveu. O conflito, pode parecer sem impotância, mas pode trazer uma complicação política e militar internacional sem precedentes na história do País.

É óbvio que o Jus Lyricus não poderia ficar fora desse problema, externando uma opinião de um dos membros de criação (Murilo) do Blog. Essa opnião já adianto, pode não ser de todos e como é um blog democrático, todos podem manifestar seu entendimento.

O fato é que, além de uma situação política, estamos diante de uma matéria de direito. Trata-se de puro direito internacional. Mais adiante, após a introdução política, abordaremos Direito internacional, embaixada, soberania, estado de sítio e asilo político.

Entenda o problema desde o início:

José Manuel Zelaya Rosales (Catacamas, 20 de setembro de 1952), também conhecido como Mel Zelaya, é um político hondurenho.

Eleito presidente da República de Honduras, exerceu o cargo de 27 de janeiro de 2006 a 28 de junho de 2009. Em 28 de junho, Zelaya foi preso em sua residência, por tropas do exército hondurenho, e, em seguida, enviado para San José, Costa Rica.[1]

A maior parte da comunidade internacional condenou a ação, considerada como um golpe de Estado, e não reconheceu o novo governo, liderado por Roberto Micheletti. [2]

"Foi um golpe de Estado clássico", declarou José Miguel Insulza, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Zelaya é o primogênito de quatro irmãos. Estudou no colégio Jesus Menino de Praga e Luis Landa e no Instituto Salesiano de São Miguel e estudou engenharia industrial na Universidade Nacional de Honduras(UNAH), mas abandonou o curso no quarto ano para se dedicar aos negócios herdados de seu pai, dentre os quais se destacam a extração de madeira e a pecuária. A despeito de sua família ser originária do departamento de Copán, suas terras localizam-se no departamento de Olancho.

Tem dois irmãos vivos, Carlos Armando e Marco Antonio e a mãe, Ortensia Rosales de Zelaya, considerada por muitos, o seu melhor cabo eleitoral. É casado com Xiomara Castro de Zelaya.

Filiou-se ao Partido Liberal de Honduras em 1970, tornando-se membro ativo uma década depois. Foi eleito deputado no congresso nacional hondurenho por três mandatos consecutivos, entre 1985 e 1998. Também foi ministro do Investimento, responsável pela gestão do Fundo de Investimento Social de Honduras no governo anterior do PNL. Durante o governo de Carlos Roberto Flores, Zelaya introduziu o programa de Condados Abertos visando descentralizar as decisões e dar mais poder às comunidades. Zelaya passou a usar a divisão oficial de municípios e uma outra, alternativa, que categorizava os cidadãos de acordo com suas características étnicas e sócio-econômicas, criando 297 diferentes grupos - sistema que planejava reviver em seu governo.

Candidato pelo Partido Liberal de Honduras a presidente da república, Zelaya derrotou por pequena margem o seu oponente Porfirio Pepe Lobo, candidato do Partido Nacional de Honduras nas eleições de 27 de Novembro de 2005. [4]

Entre as suas promessas de campanha estava a de dobrar o número de policiais, de 9.000 para 18.000 agentes, e um programa de reeducação entre as gangues Mara Salvatrucha, sendo visto como o candidato da reconciliação, ao contrário de seu adversário, Pepe Lobo, que defendia a adoção da pena de morte.

Apesar de eleito por um partido de direita, Zelaya promoveu reformas econômicas e sociais de consideradas de esquerda, o que o levou a perder popularidade entre os donos do poder econômico, enquanto a esquerda passou a apoiá-lo. A oposição de setores da direita ao seu governo recrudescia à medida que Zelaya se aproximava de Hugo Chavez, com a adesão hondurenha à ALBA, e sobretudo por seus ataques verbais aos Estados Unidos e ao setor empresarial.

Em 24 de Maio de 2007, Zelaya determinou que todas as estações de rádio e TV de Honduras transmitissem, em rede nacional, durante dez emissões, emissões de duas horas sobre programas do seu governo, para "combater a desinformação disseminada pela mídia." A medida, embora legal, foi duramente criticada pelo principal sindicato dos jornalistas do país, que acusou Zelaya de estar repetindo os mesmos atos autoritários da sua oposição.[5] [6]

Segundo o jornal NotiCen da Universidade do Novo Mexico, a afirmação de Zelaya de que "a imprensa não estava sendo justa na cobertura do seu governo" eram procedentes, citando como exemplo as matérias que passavam a impressão de que as estatísticas de homicídio aumentavam, quando na verdade haviam caído 3%, em 2006.

Em 22 de Fevereiro de 2008, Zelaya sugeriu que os Estados Unidos legalizassem as drogas, o que segundo ele, diminuiria a violência e os homicídios em Honduras. Honduras faz parte do roteiro do tráfico de cocaína entre a Colômbia e os Estados Unidos, juntamente com Guatemala, El Salvador e o México, o que segundo ele, seria a causa de 70% dos homicídios do país - cerca de 12 por dia, para uma população de apenas sete milhões de pessoas.[7]

A revista The Economist elogiou Zelaya por cumprir algumas de suas promessas de campanha, mas criticou a falta de um programa coerente que resolvesse os problemas mais longevos e profundos do país, sobretudo pela ferrenha oposição direitista e as crescentes tensões sociais.[8]

Em razão da crise mundial e da elevação dos preços dos alimentos em 2007-2008, além do aumento da violência ligada ao narcotráfico (Honduras teve a mais alta taxa de homicídios da América Latina), a aprovação do governo de Zelaya teve uma queda expressiva em 2008.

Em 23 de março 2009, decretou a realização de uma consulta popular sobre a realização de um referendo concernente à convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte. A consulta deveria ocorrer até o dia 28 de junho e seria colocada nos seguintes termos:

Você está de acordo que, nas eleições gerais de novembro de 2009, se instale uma quarta urna para decidir sobre a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, que aprove uma nova Constituição política? [9]

O resultado positivo da consulta popular serviria como fundamento para que o Executivo enviasse ao Congresso Nacional, um projeto de lei sobre a colocação de uma quarta urna nas seções eleitorais durante o pleito de novembro.

A consulta foi desautorizada pelo Congresso e pelo Judiciário. Entretanto, Zelaya decidiu realizá-la, ainda que seu valor fosse meramente simbólico. Como os militares se recusaram a distribuir as urnas, o presidente demitiu o chefe do Estado Maior Conjunto, Romero Orlando Vasquez Velasquez. Este não acatou a ordem e teve o apoio dos demais comandantes, assim como do Congresso e do Judiciário.

Golpe de estado em Honduras em 2009

Afinal, no próprio dia 28, quando seria realizada uma tentativa de subversão da ordem constitucional vigente maquiada de consulta popular, Zelaya é preso, por ordem da Suprema Corte e do Congresso Nacional, por tropas do exército hondurenho, que o colocaram em um avião, com destino à Costa Rica, configurando-se assim um impedimento constitucional legítimo. [10] O Judiciário hondurenho anunciou que dispunha de provas suficientes para processar Zelaya por 18 delitos, incluindo traição à pátria e descumprimento de 80 leis aprovadas pelo Congresso.[11]

Podemos observar que o Presidente deposto pelo golpe militar, tem uma carreira e idéias políticas controvertidas e de forma sensível, tende ao autoritarismo e a ditadura, modelos políticos que voltaram a se tornar modernos após a aparição do Presidente da Venezuela Hugo Chavez, que sempre nos bastidores distribuí intrigas e participa ativamente da anarquia que aos poucos estão trasformando a américa latina em um caos. Este último teve participação preponderante na nacionalização das refinadoras da Petrobras na Bolívia, quando o presidente deste país simplesmente pisou na soberania brasileira, desrespeitando os tratados internacionais e os contratos firamdos com o Brasil. Também participou ativamente nas negociações junto as forças revolucionária da Colômbia, trazendo grande mal estar na comunidade internacional e deixando o presidente deste país em situação delicada.

O fato é que, nosso presidente, segundo a imprensa norte - americana, é o político mais popiular do mundo e com a maior carisma (piada), pois então, nada melhor que um presidente desse porte parta segurar essa bomba na mão. E por razões óbvias que nosso amado presidente não possui a mínima condição de conduzir e concluir uma negociação como essa, mas o problema é que tal situação é extremamente delicada, podendo trazer um grande conflito internacional, o que foge muito da capacidade intelectual e diplomática do presidente do Brasil. Um presidente que não se posiciona, que deixa um país políticamente e financeiramente pequeno como a Bolívia ignorar nossa soberania, roubando nossas empresas, Estatizando-as (com a OMC e a comunidade internacional em silêncio), que não consegue impor a política do Brasil na América Latina, esbarra nas medidas protecionistas da Argentina, não consegue colocar o etanol nos Estados Unidos, não tem força política para gerir esse conflito internacional.

Mas na cabeça do despolitizado, do leigo, fica uma pergunta: Porque ele escolheu a Embaixada do Brasil para pedir asilo? A resposta já foi dada. Porque assim é a visão da comunidade internacional, o Brasil é uma bagunça, senado corrupto, corrupção é uma cultura política, nada melhor que se abrigar numa embaixada assim (um político que tenta mudar a Constituição do seu país para ficar mais tempo no poder, deixando claro sua tendência para o autoritarismo poderia escolher qual país?).

Tudo isso orquestrado pelo presidente da Venezuela que, manobra os presidentes dos países mais pobres, comprando-os com o seu petróleo, mostrando para o mundo que esta comprando cada vez mais armas e a comunidade internacional como de costume inerte.

Mas o que pode acontecer nessa situação? Antes de respondermos essa resposta, traremos as definições dos assuntos jurídicos relacionados com o tema.

2 comentários:

  1. Caro colega, interessantíssimo o tema proposto e confesso que com parte das suas boas traçadas linhas ei de concordar, de fato o Brasil tem em suas mãos uma verdadeira “batata quente”, sua participação no conflito interno que se instalou em Honduras (e que por motivos óbvios atinge a comunidade internacional) é uma temeridade!

    Não temos estrutura política e moral para nos posicionar a favor de um presidente “neo-ditatorial” arraigado de sentimentos patriotistas e influenciado pela política ditadora boliviariana, tampouco nos contrapormos aos ideiais de um homem ocupante do cargo maior de seu país que não se rendeu aos ditames do “poder paralelo” atendendo regalias exigidas e cumprindo as ordens emanadas por aqueles, e que da sua maneira (não que esta seja a melhor ou mais adequada), tentou levar à pequena sociedade sua noção de política.

    Infelizmente, e isso muito me entristesse afirmar, vivemos em um país cujos homens ocupantes de cargos públicos, destinados a trabalhar e lutar pelos direitos da população nada mais fazem do que satisfazer seus próprios interesses e isso não ocorre apenas quando há desvio de verbas públicas, licitações fraudulentas, lavagem de dinheiro, tráfico de influências, etc e tal, não, há ainda as manobras partidárias, as “politicagens” para, inclusive, mantê-los “ad eterno” no poder, sejam os próprios, sejam através dos seus testas de ferro. A verdade é que sempre estarão lá, compondo as bancadas na Câmara e no Senado, ocupando os maiores números afim de facilitarem a manipulação das votações, a aprovação de leis inescrupulosas, infames e porque não dizer anti-societatis.

    Mas, está cada vez mais evidente o lugar que o nosso querido Brasil ocupa no cenário mundial, inquestionavelmente, é o verdadeiro coadjuvante, estando há pouco da grande estréia como protagonista de uma nova ordem social! E, diante desta quase realidade, por oportunismo, astúcia, pretensão, delinquência ou seja lá o que for, não poderia ficar fora de mais um destaque nos noticiários econômicos, políticos, quiçá humanitários!!!

    No entanto, discocordo do Nobre colega ao registrar a ineficiência do Presidente luiz Inácio, não que eu seja favorável à sua conduta política, no que tenho parrticular e firme posicionamento, mas quando diz respeito a sua habilidade, como um verdadeiro estrategista, inegável a sua posição internacional, assim como é indiscutível a visibilidade que o nosso país esta tendo no mundo, e, diga-se de passagem, na gestão de seu governo, embora seja duvidosa sua capacidade intelectual e diplomática, nem o ex-presidente FHC com todo o seu estimável currículo conseguiu alcançar avanços e destaques mundiais, talvez algumas dívidas internacionais.

    Mas, voltando ao assunto... A verdade é que Honduras é verdadeiramente uma cobaia nas mãos da OEA (Organização dos Estados Americanos) e da ONU (Organização das Nações Unidas)e o Brasil um pretensioso e hipócrita em suas decisões.
    Um país (Honduras) cuja renda per capita atinge a média do estado do Pará, o mais pobre, o mais debilitado país das Américas e atualmente está oprimido pelos interesses particulares dos “bons samaritanos”, que se aproveitam da situação para tentar brilhar.

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  2. Continuando o tema, gostaria de primeiramente esclarecer que creio sim na influência de Hugo Chavéz em mais esse fato que ocorre na América Latina.
    Como bem disse a Samantha, também acredito que o Brasil não teve tanta evidência como agora, na gestão do Lula, mas minha idéia a respeito a tal evidência, apresenta certa divergência.
    Na minha opinião, o fato de presidente Lula deixar acontecer e parecer não se importar com o próprio país é um 'prato cheio' nas mãos dos exploradores, que para mim, atualmente são Hugo Chavéz e Obama. O primeiro por querer ser o novo Fidél Castro e o segundo por ter interesses econômicos.
    O Brasil hoje em dia está em alta não pela popularidade do Presidente Lula, mas sim por ser rico no que diz respeito a meio ambiente. A Amazônia é nossa, e creio que o Presidente Lula algum dia esquecerá disso.
    Voltando ao tema abordado, é certo que o Micheletti será tão ditador quanto Zelaya.
    O mesmo aconteceu com Fulgêncio Batista. Ou alguém acredita que Fidel mudou Cuba. Lá as pessoas passam fome, sem contar com a falta de informação do mundo afora, imposta por Fidel.
    Acredito que a influência do Brasil nesta empreitada de Zelaya foi com o propósito de se mostrar benevolente e que acabou arriscando nossos interesses políticos.
    Acredito sim que um dia iremos mudar, minha filha não verá essa mudança, mas a Copa e as Olimpíadas, além de ser uma mina de dinheiro para os políticos, poderá trazer algo a mais, como o PATRIOTISMO, que é tão necessário para uma Nação.

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